Duarte, o eterno capitão

Todos o conhecem e o tratam como capitão.

Duarte Nuno Figueiredo Leite de Sá nasceu na Junqueira, freguesia de Vila do Conde, no dia 10 de novembro de 1952.

Licenciou-se no curso de direito e atualmente, com 61 anos de idade, desempenha a profissão de advogado.

Tendo cumprido todo o seu percurso como futebolista no Rio Ave, a estreia na equipa sénior viria a acontecer na temporada de 1973/74, com o clube a militar na 3ª Divisão Nacional.

Duarte Sá foi atleta do Rio Ave entre 1973 e 1986, sendo que no período de 1979 a 1986 realizou 155 jogos, tendo marcado 10 golos. Cinco épocas foram disputadas com o clube na primeira divisão e duas temporadas na segunda divisão nacional.

“O Rio Ave representa imenso para mim porque dediquei muitos anos da minha vida de uma forma muito efetiva, muito intensa e portanto deixou-me uma marca tão forte que eu mesmo que queira não consigo libertar-me dessa marca. As pessoas costumam-me perguntar porque é que eu nunca saí do Rio Ave e nunca pensei jogar noutro clube, e eu costumo dizer que eu no Rio Ave sentia-me em minha casa, o Rio Ave para mim era um pouco a minha casa. Esta minha forma de encarar o Clube ou de me relacionar com o Clube desta forma se calhar nalguns momentos acabou por me prejudicar, mas na altura agi de acordo com aquilo que sentia e portanto não estava a pensar nas consequências das coisas. A ligação foi tão forte e perdurou ao longo de tanto tempo e de várias formas que eu não posso de forma alguma apagar isso porque é uma realidade que fica”, sublinha Duarte Sá.

Embora tenha dificuldade em eleger os melhores momentos vividos com o emblema da caravela ao peito, o eterno capitão destaca a conquista do primeiro título nacional (III Divisão), em junho de 1977, e a primeira subida da equipa ao patamar mais alto do futebol português.

“O primeiro título de campeão nacional em que fomos campeões nacionais da 3ª divisão, a primeira subida à 1ª divisão nacional, eu diria que talvez fossem esses dois os momentos mais marcantes da minha carreira no Rio Ave. A final da taça de Portugal foi uma coisa importante, foi um marco histórico, foi talvez em termos desportivos o momento mais alto, mas eu já tinha outro traquejo e já estava habituado a outros palcos e a outras vitórias. Digamos que o primeiro título de campeão nacional da 3ª divisão como foi o primeiro marcou-me e depois a primeira subida à 1ª divisão também me marcou de uma forma muito intensa porque foi a primeira vez que o Rio Ave chegou à 1ª divisão na sua história e eu acho que isso são momentos que não se repetem”, recordou.

  

Duarte notabilizou-se como defesa esquerdo, mas em algumas ocasiões também alinhou como defesa central, tendo-se tornado até num especialista na marcação de grandes penalidades.

Em 1983/84, com Félix Mourinho no comando técnico, o Rio Ave conseguiu a primeira e única presença da sua história na final da Taça de Portugal, depois de eliminar o Vitoria SC nas meias-finais após o desempate através da marcação de grandes penalidades. Duarte foi o capitão do Rio Ave nesse jogo que acabou por ser ganho pelo FC Porto por 4-1.

A época de 1984/85 viria a ser a última temporada de Duarte Sá no primeiro escalão do futebol português.

No final de 1985/86 abandonou a carreira de jogador, mas foi ainda treinador adjunto na equipa principal na temporada de 1987/88, numa altura em que o Rio Ave era comandado pelo treinador brasileiro Mario Juliatto.

Embora tenha deixado de jogar futebol há cerca de três décadas, o carinho e o amor pelo Rio Ave mantém-se.

“Isso é uma coisa que está entranhada em mim e da qual eu não me consigo libertar mesmo que queira. É evidente que neste relacionamento com o Rio Ave nem tudo correu bem ao longo dos tempos, é como numa relação amorosa onde existem momentos bons e momentos maus, mas quando o amor existe tudo se esquece e ultrapassa e os problemas ficam de lado porque a relação tem que continuar”, relatou.

Atualmente Duarte Sá continua com uma participação ativa no Rio Ave, é membro integrante do Conselho Geral do Clube tendo sido recentemente convidado para fazer parte da Comissão de Honra para acompanhamento das comemorações dos 75 anos do emblema vilacondense.

“Se eu gosto do Rio Ave e gosto que o Rio Ave seja cada vez maior e cada vez melhor e se as pessoas me pedem ajuda e eu tenho possibilidade de ajudar, não consigo ficar bem comigo mesmo se recusar essa ajuda desde que eu tenha disponibilidade e que eu sinta que efetivamente possa ajudar”.