Meia história do Rio Ave a cobrar cotas

Horácio Antunes Lopes Costa, sócio número 57, foi durante cerca de 37 anos o cobrador das cotas do Rio Ave.

Nascido a 27 de maio de 1935 (81 anos), assumiu funções aquando da presidência de Manuel Barroso.

“Fui convidado pelo Vila Cova, naquela altura estava sem fazer nada e como precisavam de uma pessoa para ajudar, aceitei o convite. Foram muitos anos de dedicação ao Rio Ave, eu gostava muito daquilo. Conhecia toda a gente, a grande parte dos sócios. Eu trabalhava todos os dias, mas senão quisesse não precisava. Eles queriam que eu recebesse, tanto fazia que fosse ao sábado ou ao domingo”, lembrou.

Ao longo dos cerca de 37 anos de exercício das funções de cobrador, Horácio Costa foi criando rotinas e facilmente sabia onde encontrar os associados do Rio Ave, no entanto sublinha que “uns eram certos, mas outros eram incertos e tinha de andar atrás deles. Muitas vezes tinha de passar mais de duas ou três vezes para os encontrar, mas bons eram aqueles que eu visitava ao final do ano e eles pagavam as cotas para seis meses ou para o ano todo”. 

Com o passar dos tempos e com a evolução tecnológica, a tarefa de Horácio Costa foi-se tornando mais facilitada.

O antigo cobrador do Rio Ave recorda que “nos últimos anos não era muito difícil receber, antigamente era muito pior. Há coisa de 20 anos era bem pior porque tinha que andar com aqueles livros de cotas em papel, depois que vieram as máquinas tudo ficou mais fácil”.

Era sobretudo no dia da realização dos jogos em casa que Horácio Costa tinha mais facilidade em receber as cotas do Rio Ave, pois os associados dirigiam-se às bilheteiras do estádio e atualizavam as respetivas vinhetas. 

Esta situação impossibilitava, no entanto, que pudesse assistir aos jogos do Rio Ave em Vila do Conde. 

“Eu só ia ver os jogos fora pois em casa tinha de estar nas bilheteiras. Fui a muitos jogos fora de casa e foram muitas as vitórias que assisti. Estive também na final da taça de Portugal em 1984 e ainda guardo o bilhete desse jogo”, contou.

Horácio Costa abandonou funções de cobrador em agosto de 2012, um momento que recorda com enorme pesar.

“Vim embora para casa porque a minha saúde já não me permitia continuar, ainda andei alguns meses a fazer um grande sacrifício até começar o campeonato”.